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Opinião

A EXPLOSÃO DO ESTOJO DE GIZ NO AEROPORTO


A EXPLOSÃO DO ESTOJO DE GIZ NO AEROPORTO


Cena cinematográfica nunca vista. Nunca mesmo. De repente um estampido estrondoso vindo do interior de uma maleta preta trazida por um passageiro. Era um professor no saguão do aeroporto, prestes a embarcar, próximo de um balcão de check in. Gizes de muitas  cores: verde, azul, amarelo, branco e até cor-de-rosa. A caixa, do nada, explodiu feito dinamite, esparramando as canetas douradas do grande educador. Marcadores de páginas aos montes e livros  lançados ao vento. Uma obra de Montesquieu, de capa dura, acertou a testa de uma comissária que precisou ser levada às pressas ao pronto socorro. Outras, de Marx, Engels e Paulo Freire se espatifaram todas. As folhas voavam feito aeronaves num sobe e desce infinito. O sábio sujeito tentava justificar o acidente gaguejando que houvera esquecido uma boa porção de pólvora dentro do estojo e que o isqueiro no interior da mala acendeu sozinho dando ensejo a enorme tragédia. E mais: estava todo empolgado, posto que acabara de ser escolhido a dedo como reitor  de uma universidade afundada em fracassos contínuos. O primeiro chegou como quem chega do nada, pôs-se a falar doidices e teve que fugir do país rapidamente.  O segundo era um estrangeiro. Mal sabia o forasteiro onde ficava a escola. Quando o chofer não vinha, valia-se do Uber; do GPS e do Waze. Mandava os alunos cantar o hino da terra todo santo dia, logo cedo. Estudava a volta das lambadas com réguas grossas e a censura dolorida do joelho de castigo sobre o milho para os alunos arredios. Durou pouco. Nem esquentou a cadeira.  Um outro gostava de diplomas falsos e também não deu certo. Sumiu em menos de dois dias.  Já o derradeiro adorava pôr fotos suas em livros santos e esparramá-los pelas escolas de todo país. Fé na oração e pouca leitura de obras não sagradas.  O viajante dizia que isto tudo criava um ambiente propício para a grande explosão que acabava de ocorrer no aeroporto de Harare, capital do Zimbábue, durante a madrugada de 1º de abril do ano passado.  Pelo jeito, o pastorzinho não chegou nem assumir a reitoria, pois estavam investigando a fundo se ele era mesmo alfabetizado.

(pepijus.com.br - em dia com a realidade)

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