Radar Pepijus
Opinião
O ROL TAXATIVO DO STJ E A SAÚDE PELA HORA DA MORTE

Um dos filhos de Gabriel quer ser advogado. A menina, médica a qualquer custo. Qual das profissões dá mais dinheiro papai ? Volta e meia questionam os dependentes. O velho fazendeiro latifundiário julga a causa empatada e condena o escrivão nas custas. Se for só pela grana, melhor ir pro Piauí plantar mandioca, caju, caqui ou criar gado na beira dos riachos ! Agora, se é para levar uma vida digna, - diz a eles, coçando o bigode - seriedade, competência e ética formam o tripé do sucesso em qualquer dos ofícios que escolherem! Quem lida com gente, sentimentos, situações delicadas, aflições e controvérsias são pessoas especiais ! Justifica o ancião. Enganado ou não, adverte os meninos que se quiserem se enveredar por alguma daquelas profissões deverão se esmerar, gostar muito do que vão fazer, senão, serão apenas simples mercenários em meio a tantos outros por aí fazendo estrago em cima de estrago. Judiando de pessoas frágeis e inocentes. E não é só dos pobres e desvalidos nas filas intermináveis do SUS. Criaturas que pagam o olho da cara também são tapeadas por doutores que sequer na faculdade deveriam ingressar. Na saúde, destaca o velhote desiludido, a situação é mais grave ! Parece haver um esquema gigantesco para se fabricar montanhas de dinheiro facilmente. Indústrias, laboratórios, servidores públicos de todos os poderes, empresas e profissionais se encastelam num velho esquema onde só a população é quem sai no prejuízo. Nesta esteira da sabedoria de Gabriel, esta semana, dia 08 de junho, a corda mais uma vez arrebentou do lado mais fraco. Porém, ouso pensar, com alguma tristeza, é claro, que a maioria dos ministros do STJ desta feita não deu outra bordoada nas costas do já sofrido usuário de plano de saúde. Não se equivocou ao confirmar que o rol de procedimentos e eventos médicos previstos pela Agência Nacional de Saúde(ANS) é taxativo, pois se foi isto que o conveniado contratou, a regra pactuada deve ser mesmo cumprida. Em meio a isso tudo surgem questões controvertidas e excepcionais a serem dirimidas caso a caso e o STF decerto entrará na parada. Ocorre que, pelo que se tem visto corriqueiramente nos tribunais, o maior dilema não é este da lista. A parte mais frágil do contrato na maioria das vezes tem de procurar um advogado para fazer valer o seu mínimo direito expresso nas cláusulas do plano e ainda assim, contar com a sorte, a morosidade e o vai e vem do Judiciário. Em síntese: as empresas e os gestores destes empreendimentos mercantis de saúde, como a maioria da tropa, estão sempre ávidos e de olho na rentabilidade do negócio que tem de ser bastante saudável, ao menos para uma das partes. E salve-se quem puder !
(pepijus.com.br - A Justiça dos homens como ela é !)