Radar Pepijus
Opinião
OSSOS E MAGIA NO OFÍCIO DA ADVOCACIA

Quando eu era menino, mesmo nem sonhando qual seria o meu destino, imaginava ser igual ao meu pai. Operário incansável e mestre na faina campesina. Tudo que semeava, tinha farta colheita de fazer inveja aos camponeses vizinhos. Aos três meses de vida, porém, a poliomielite sorrateiramente meu roubou completamente o impulso e a força que era para eu ter em uma das pernas. Mal conseguia erguer o cabo de uma enxada para carpir o café junto do saudoso velho. A peneira, então, chegava a me derrubar ! Assim, ao contrário dele e de minha mãe que não puderam sentar num banco de escola, posto que a sobrevivência gritava no fundo das panelas pedindo comida para sete rebentos com bocas famintas, fui parar na escola e pus-me a mexer com as letras já aos nove para os dez anos. Com elas tento lidar, mesmo com dificuldades, e delas consegui forjar o milagre do pão ajudando primeiro meus pais, meus irmãos e até hoje colho os frutos dos meus estudos que decerto continuarão enquanto me restar um só neurônio nos miolos. Aprendi a ser teimoso, mas mais do que isto: que é preciso respeitar e tratar bem as pessoas. E é o que sempre procurei fazer com as palavras que o Jornalismo sério me trouxe, por acaso, à estrada estreita do Direito por onde palmilho há exatos 33 anos. Prendo-me sempre aos fatos. A verdade da história. Os fundamentos e os princípios são imutáveis. O curso das águas serenas dos rios e riachos miram sempre rumo ao oceano. A nobre e boa Advocacia que me seduz, inspira e me anima é aquela da coerência, do bom senso, da boa-fé, da lógica. O restante, as leis e a jurisprudência dão conta de resolver. A perfídia e as espertezas cavilosas, tal qual as mentiras, têm pernas curtas. O avanço crescente na demanda por direitos da mais variada sorte reclama uma resposta mais célere do Judiciário. E não será apenas a virtualização dos processos, aliada à robotização do que pode ser feito pela inteligência artificial e pela uniformização dos julgados que irá resolver este eterno entrave. O esmero cotidiano e a vontade séria de acolher o reclamo dos jurisdicionados têm de ser a viga mestre do Poder judicante. O faz de conta já não serve mais. Que neste dia a nós todos consagrado possamos comemorar com os nossos amigos e familiares e nos enchermos de orgulho pela profissão escolhida, não só pela colheita farta do que semeamos, mas muito mais do que isso, pela alegria, pela gratidão, pelo brilho no olhar, pelo sorriso estampado nos rostos dos nossos clientes, convictos de que o nosso dever foi cumprido. Que honramos o juramento feito na entrega do diploma e por ocasião do repasse da tão valiosa Carteira da Ordem dos Advogados do Brasil. Viva aos Advogados e Advogadas ! Viva ao Estado de Direito e à Democracia !
(pepijus.com.br - O Direito como ele é !)