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TRANSPORTADORA TERÁ QUE INDENIZAR CAMINHONEIRO MORTO NA GARUPA DE MOTOCICLETA

Cortando as estradas deste país continental, dos pampas aos seringais, há décadas, Aristeu até que temia algum dia se envolver num acidente mais grave; ser assaltado; por um motivo qualquer ter que pousar em local ermo na boleia de um caminhão e até passar outros apuros inerentes à profissão escolhida. Porém, seu trágico fim, ainda jovem, em outubro de 2012, foi bem mais doloroso. Estava chegando em Vilhena(RO). Como de costume, pulou da cama bem cedo, engoliu uma xícara de café amargo e antes do romper da aurora já se preparava para deixar a hospedaria. Quem disse que o caminhão dava partida? Bateria completamente arriada. Foi depressa pedir socorro numa oficina nas proximidades. Ali não havia aquele acessório. Montou na traseira da moto de um dos funcionários da loja. O caminhoneiro, de Xanxerê(SC), jamais poderia imaginar que aquelas seriam as suas derradeiras horas de trabalho. Seguiram pela rodovia rumo a uma auto elétrica. A motoca era daquelas que têm uma carretinha acoplada na lateral. E foi justo nela que uma jamanta embalada, por volta das sete e meia da manhã, pegou em cheio atirando os ocupantes longe do local do impacto. Morte instantânea do motorista da transportadora Tope. Desamparados com a perda do provedor, mãe e filho, ainda criança, ingressaram com reclamação pleiteando que a empresa os indenizasse por danos materiais e morais, arguindo que a atividade exercida pelo empregado era arriscada e que a reclamada dela se beneficiava. Iniciaram a angustiosa via-sacra judicial em 2014. Até a semana passada, só insônia e lágrimas, pois tanto o juiz quanto o tribunal regional fizeram ouvidos moucos aos prantos dos suplicantes. Na quinta-feira, dia 18, findou a agonia. A 3a.Turma do TST, por unanimidade, entendeu ser objetiva a responsabilidade da empregadora, não havendo que se campear a sua culpa e que o caso fortuito não a excluiria. O processo baixará à vara de origem para se calibrar o montante a ser pago aos recorrentes. Uma gota de bálsamo numa ferida que talvez jamais se cicatrizará.
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