Radar Pepijus
Opinião
SUGESTÃO INFALÍVEL PARA SALVAR A AMERICANAS STORE

Quem estuda Direito Comercial ou lida com grandes negócios sabe a dureza que é sair do atoleiro, livrar-se da bancarrota, entrar em recuperação, a antiga concordata, que em regra finda mesmo em suicídio ou morte mecânica por asfixia. Numa dessas madrugadas, em sonho tudo acontece, lá pelas três da matina meus dois smartphones tocavam feito o capeta. Meio atordoado fui atendê-los tanto era a insistência. No Alcatel ouvia a voz rouca de um tal de Jórjão, muito apavorado com medo da prisão, de perder tudo o que tinha e que não era pouco não. No Samsung roncava não menos doido um sujeito dizendo ser o Sucupira ou algo assim parecido. Ambos me vendo todo poderoso feito um gênio da lanterna - logo eu, um mané que mal paro em pé-, rogavam aflitos em berros saída milagrosa para a crise que avistavam. E não é que no sonho eu a tinha ! Pedi então que ao menos me esperassem lavar a fuça, escovar os caninos e tirar o pijama. Sorrateiramente sem que a patroa acordasse corri - nem correr eu posso-, para o escritório, deixando os dois barulhentos on line e passei a derriçar a fórmula. Anotem aí seus espertalhões, pois serei curto e grosso ! Doravante, Americanas Store. Moda é moda e fim de papo ! Pra começar, ao menos um milhão de cada item. Canecão, meia, meião, tábua de carne, copos, camisetas, caneleiras, bonés, chaveiros, abridores de garrafa, pés-de-chinelo lasca-dedo, lasca tudo, perucas, bandeirolas e o que puderem mais imaginar de quinquilharias, em três padrões: barbante, meia-boca e cabeceira, a dez, vinte e cinquenta contos cada, no cartão ou pix, contendo apelos sortidos, multifacetados e pra tudo quanto for gosto: caminhãozinho Romeu-e-Julieta abarrotado de soja, trator esteira e correntão, motosserra, réplicas de fuzis, de berros, de metrancas; de motociata, da invasão do Capitólio, do DF, de vandalismo, de quebra-quebra; de bandeiras do país, dos sem-terra, sem-teto; imagenzinhas de barro do Supla em cabana abanado pelo Boulos, do Zé Rainha invadindo glebas; do padre Lancelloti derrubando muros e espinhos; do vaivem da cracolândia, das enchentes de todos os anos; do Tite levantando a taça - que sonho-, Neymar o melhor do mundo, do Daniel pedalando no Leblon, Robinho em Bangu, do Barroso tocando piano na Sé; do Lula tomando um "mé"; do perderam mané; faixas, banners com slogans marcantes do cala a boca, do tal key, ou seja, nunca antes nesse país; da gripezinha; do Gilmarzão dando aula magna no Maranhão; do Xandão mandando brasa nos golpistas; caixinhas de música com o hino da Pátria, da Bandeira, do Palmeiras, do Timão... Uma vez Flamengo... Ovos muitos ovos grandes brancos pintados com vai curíntia, é nóis, tamo juntu; de indiozinho de plástico magrinho pelado tomando banho de mercúrio no garimpo e por aí a fora. Tudo o que pensarem em baboseiras e mazelas sem fim, do imaginário popular, é só mandar fabricar, replicar que vende que nem água. Se virar, 10% da fatura é meu, senão, deixa tudo como tá pra ver como é que vai fi k ! Vencida a fantasia, calcei a bota, tomei um café e fui trabalhar. Será que hoje tem jogo do Mac na tv ?