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Opinião

OS PRECIOSOS PIRULITOS DE NUNES MARQUES


OS PRECIOSOS PIRULITOS DE NUNES MARQUES


Tenho algumas glebas pequenas de terras lavradias há duas décadas no sul do Piauí e por isso, vindo de Teresina, volta-e-meia corto aquele estado de fio a pavio, até para descansar e me encantar com as belezas de seu litoral. O Delta do Parnaíba, as praias e dunas de  Luis Correia... Por isso mesmo fiquei muito feliz quando o advogado Nunes Marques foi alçado a Corte Suprema. Para quem não sabe, o Piauí, por séculos,  figurou como o ente federativo mais paupérrimo e miserável da nação; com um IDH  para baixo do chinelo. Com os investimentos no governo de FHC e sobretudo do Lula; o plantio da soja nas chapadas do cerrado e o trabalho árduo de sol a sol daquela gente, terminou por deixou esta rabeira vexatória faz muito tempo. Hoje, 27/12, logo pela manhã vi algo na mídia social que preferi não acreditar, pois com esta onda infernal de fake news, nem tudo o que a gente lê e vê, pois há muita montagem e arranjos maquiavélicos, podemos logo acreditar, o  que nos torna meio velhaco ao notar tanta informação disparada, não raro, com fito caviloso e ilícito. Quando li, à noite, na "grande imprensa",  balancei um pouco, mas tive de acreditar e me vi compelido a ligar o velho pc para digitar estas poucas linhas, num sentimento misto de revolta, com lágrimas.  O moço do Piauí não quis nem saber de mandar arquivar o processo, pois afinal de contas a jurisprudência da corte indicava que por se tratar de furto qualificado  pelo concurso de agentes, a conduta social da mulher subtratora, ladra de algumas barras de chocolates e chicletes, avaliados em exatos 50(cinquenta) reais, de um comércio em Minas, revelava  periculosidade e reprovação social,  estando, portanto, distante de se enquadrar como furto de bagatela, onde reina o princípio absolutório da insignificância. Apesar de "a coisa alheia móvel", elementar do tipo penal, ser inexpressiva, a aridez do leste piauiense, para minha tristeza e a de muitos conterrâneos, prevaleceu. Fui dormir cabisbaixo e irresoluto, sem não antes levar para alcova, alguns coloridos pirulitos que me trouxeram a memória da infância e a velha reflexão do que seria mesmo Justiça: para as grandes causas, basta a coerência, para as minúsculas: coração. Ainda bem que por aqui não é mesmo terra de tanto ladrão graúdo e de colarinho feito arco íris.

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