Radar Pepijus
Opinião
DELÍRIOS DE NOVO HAMBURGO E O CARRO DO GÁS E DA PAMONHA

Neste velho mundo de Eva e Adão, sempre teve e terá doido capaz de tudo. Reza a lenda que numa cidadezinha do interior de Minas, há uns vinte e cinco anos, um delegado novo que tinha acabado de chegar no vilarejo e lá queria dar as cartas do jogo. Mandar e desmandar, até no padre e no prefeito. Certa feita, estava indo a padaria comprar umas broas de milho e no caminho deu de cara com uma barulhenta caminhonete. Era um carro de som anunciando a venda de gás de cozinha. Tocava em alto e bom som, nada mais, nada menos que a Bagatelle 25 para piano, a ponto de trepidar os alto-falantes. O fito do ambulante era vender o seu peixe. Todavia, a autoridade policial não era lá muito fã de Beethoven e já estava mesmo enjoada de tanto ouvir Fur Elise. Naquele dia, saiu de casa desarmada, sem a pistola na cintura. Interceptou a viatura do mascate, identificou-se e ordenou ao sujeito que logo desligasse aquela música perturbante. Negativo, acenou o peão, mais parecendo um touro, clone do Maguila com Mike Tyson. Meu patrão é quem mandou ligar esta estrumela neste volume que é para as pessoas sentirem a presença do gás e o senhor tem de falar é com ele, não comigo! Vamos, desliga isso já ! Sentenciou o franzino policial. Foi quando o caboclo, feito uma muralha, saltou para fora da picape e disse: Como é que é ? Vamos resolver isso é no braço ? O forasteiro, porém, mais do que depressa, só resmungou duas ou três palavras: boa tarde senhor ! Tchau ! Algo parecido acabou de ocorrer esta semana em Novo Hamburgo(RS), região metropolitana de Poa. Só que os dois carros barulhentos foram, felizmente, contidos. Não tocavam a música do célebre alemão, tampouco o melô dos carros de pamonha e sim o hino palaciano alucinante, contra a vacinação de crianças e adolescentes. E os hospitais, por todo canto do país, voltaram a se entupir com tanta gente, velha e nova, internada com o maldito coronavírus.