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EMPRESA É PUNIDA POR ASSÉDIO CONTÍNUO DE EMPREGADO

O rapaz já tinha 11 anos de casa, porém, a partir de 2013, o caldo entornou para o seu lado. Toda vez em que o malvado gerente espanhol passava perto da escrivaninha do analista financeiro da empresa AES-SA, de Curitiba(PR), dava um tapinha nas costas dele e, decerto, sussurrava em seu ouvido: vamos, seu lerdão ! E emendava, dizendo que "todos os brasileiros não sabem trabalhar". Para arrematar, ainda, no desejo inequívoco de menoscabar de vez o caboclo, proferia dizeres de baixo calão, tipo... muito desagradáveis que compeliram o sujeito a pedir demissão logo em abril do ano seguinte, pois com tanta pressão e aflição decorrentes dos maus-tratos contínuos, já não dormia mais direito; tinha tonturas e tremores com frequência. Nem o rivotril dava mais conta da morbidez. Um assédio moral inominável. Meio que arrasado e com os nervos em frangalhos, juntou um calhamaço de provas, vídeos, testemunhas e tudo mais. Foi até a Vara do Trabalho, atrás do reconhecimento da falta grave por parte do preposto da firma e consequente conversão da saída em demissão indireta; além das verbas rescisórias de praxe, cumuladas com indenização pela dor moral sem tamanho. A condenação da empresa foi na lata: 20 mil contos pelos xingamentos de dar medo e, tudo, de graça. Entretanto, em virtude da demora na reclamação, a dispensa indireta não foi aceita pelo juiz, tampouco pelo tribunal regional. Todavia, no final do ano passado, a 2a.Turma do TST, sopesando a morosidade na iniciativa devido a fragilidade econômica e emocional do trabalhador e levando em conta que a judiação sofrida era corriqueira, acabou foi acolhendo a súplica do operário que receberá uns trocados a mais para aguentar o peso da farmácia.
(pepijus.com.br - simples e real, assim !)